A importância da atitude

Ansiedade... você sofre com isso?


O Brasil é hoje um dos países mais ansiosos do mundo, e, de acordo com a organização mundial de saúde, cerca de 9,3% da nossa população sofre com transtorno de ansiedade. Eu diria que esse número é bem maior, uma vez que nem todo mundo tem acesso ao sistema de saúde ou não procura ajuda ao estar em um estado de ansiedade que impacta na funcionalidade na vida diária.


Há alguns anos tenho buscado estudar e entender sobre a ansiedade de modo a ajudar as pessoas que me procuram esperançosas que a meditação possa auxiliá-las no processo de ansiedade.





É de senso comum que a respiração acalma... que nunca ouviu "respira fundo" quando se sente ansios@ ou estressad@? De fato, a respiração profunda, especialmente a diafragmática (aquela que fazemos expandindo o abdomen durante a inspiração), permite uma maior quantidade de oxigênio entrar no organismo, modifica a atividade do sistema nervoso autônomo e também de áreas cerebrais relacionadas a emoções. Assim, esse tipo de respiração reduz afeto negativo, melhora a atenção e diminui níveis de cortisol, hormônio relacionado ao estresse, na corrente sanguínea. Para saber mais sobre isso, veja esse artigo


Na prática de meditação, a respiração é a principal âncora, ou objeto de atenção que utilizamos independente do nível de experiência do praticante. Direcionar a atenção para as sensações da respiração ajuda a estabilizar a atenção de forma fluida e dinâmica. No entanto, para algumas pessoas, o ato de perceber as sensações do ar que entra e sai do corpo pode ser um gatilho para quadros de ansiedade.


O que pode ser diferente nesses dois tipos de processo? várias coisas! uma delas é a ATITUDE com a qual se observa essas sensações. Sim, como nos colocamos diante de qualquer coisa pode modificar a nossa experiência completamente.


Nesse sentido, um estudo de 2014 demonstrou os correlatos neurais da prática de mindfulness em comparação com um exercício de apenas perceber as sensações da respiração.

Para isso, os pesquisadores recrutaram pessoas saudáveis e deram a elas duas tarefas: a primeira para direcionar a atenção para a respiração e a segunda para fazer isso com uma atitude específica (atitude mindul). Essa atitude correspondia a uma postura de não julgamento, de curiosidade e não reatividade diante das sensações, emoções ou pensamentos que surgiam. Além disso, eles foram instruidos a retornar, com gentileza, a atenção até o objeto da prática (respiração) sempre que percebessem devaneios (distração).


Os participantes foram treinados durante 4 dias, 20 minutos por dia, responderam questionário que avaliava ansiedade diariamente e fizeram exames de imagem por ressonância magnética antes e depois durante as duas tarefas.


O resultado mostra que após o treinamento com as intruções de uma atitude mindful, as pessoas reportaram menor nível de ansiedade. Além disso, foi encontrada uma correlação entre a diminuição do nível de ansiedade com o aumento da atividade de áreas cerebrais relacionadas ao processamento emocional e de pensamentos autorreferenciados (sobre o o próprio sujeito) a saber: Córtex cingulado anterior, Ínsula anterior e Córtex pré-frontal ventromedial.


O que podemos aprender com isso?


Que em relação correlatos neurais da ansiedade, não basta apenas respirar ou focar nas sensações da respiração. É importante ter uma ATITUDE de observação não reativa e de abertura a experiência transitória do respirar.


Expandindo isso pra vida, cultivar uma atitude mindful diante de todas as situações que experienciamos deve ser nosso objetivo enquanto praticantes de presença e a prática de meditação formal (aquela que a gente tira um tempinho para permanecermos em treinamento da atenção) auxilia no estabelecimento desse processo.


E então? Vamos respirar com mais consciência de forma mindful? :)





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por Geissy Araújo 2020

Neurocientista | Instrutora de Mindfulness

contato@geissyaraujo.com

Avenida Amintas Barros, 3700, Lagoa Nova, Natal/ RN